Bibliotecas do Agrupamento

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Há o hábito de pensar que se entra numa biblioteca para procurar um livro. Não é verdade. Sim, por aí se começa, mas o que na realidade se busca é aventura.
Umberto Eco

7 de julho de 2026

E foi assim o “À conversa com Roberto Salema”

 

 


No dia 6 de julho, pelas 18.00 horas, o professor Catedrático Emérito da FCUP, Roberto Salema, protagonizou um momento de fusão entre a Ciência, a História da Ciência e a Cidadania  através da exploração do percurso de vida de Rosalind Frankin, uma brilhante investigadora do século XX, cujo trabalho foi essencial para a descoberta da estrutura tridimensional do DNA.

O encontro começou pelo enquadramento do trabalho desta cientista, através da análise de trabalhos anteriores que foram fundamentais para a comunidade científica aceitar o DNA como molécula responsável pela transmissão da informação hereditária. De uma forma sintética mas altamente eficaz, foram abordados os aspetos fundamentais de trabalhos realizados por cientistas como  Chargaff, Griffith, Avery e vários outros, que contribuíram para o conhecimento da composição química do DNA e do reconhecimento da importância desta molécula no funcionamento dos organismos.

Em seguida o professor Salema caracterizou o contexto científico e as equipas que se lançaram na tentativa de descobrir a estrutura tridimensional do DNA, que encerrava a chave para deslindar um grande problema, como é que esta molécula, quimicamente simples, pode ser o suporte quase universal da informação genética nos seres vivos? Muitos saberão que para a história ficou o nome de dois cientistas James Watson e Francis Crick, que publicaram em 1953 um artigo científico na revista Nature, a descrever essa estrutura tridimensional e que lhes valeu, juntamente com Maurice Wilkins, o prémio Nobel da Medicina em 1962. Este artigo abriu caminho um grande avanço na Biologia, tornando-a uma das ciências mais relevantes do século XX e XXI.

O foco desta conversa foi, no entanto, a importância que uma mulher judia cientista teve na descoberta da estrutura do DNA, nomeadamente através do uso da cristalografia e de raios X, para tirar e interpretar fotografias desta molécula. O resultado mais conhecido foi a “fotografia 51”, considerada uma das fotografias mais relevantes da Ciência. O trabalho desta cientista não foi devidamente valorizado durante a sua vida, nem teve o reconhecimento de um prémio Nobel (que a acontecer seria a título póstumo). Esta mulher viveu intensamente a ciência e essa intensidade teve, muito provavelmente, um papel na doença que a vitimou, uma vez que esteve exposta durante muito tempo a doses relevantes de raios X e, mesmo com evidentes problemas de saúde, não deixou a investigação e continuou a publicar trabalhos de elevada qualidade e relevância.

 O professor Salema terminou esta apresentação explorando vários exemplos de investigações, instituições e outras iniciativas que procuram, ainda hoje, evidenciar a importância que esta cientista teve e, desta forma, repor alguma justiça e dar o merecido reconhecimento a uma vida dedicada à Ciência.

Na voz do professor Roberto Salema foi evidente um profundo conhecimento desta história e dos elementos científicos a ela associados. Este conhecimento veio embrulhado num discurso claro, cativante e numa paixão pela Ciência e pelo Ensino. Estes elementos encantaram as pessoas que tiveram o privilégio de assistir a esta tertúlia.

Professor Joaquim Sousa

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