No dia 6 de julho, pelas
18.00 horas, o professor Catedrático Emérito da FCUP, Roberto Salema,
protagonizou um momento de fusão entre a Ciência, a História da Ciência e a
Cidadania através da exploração do
percurso de vida de Rosalind Frankin, uma brilhante investigadora do século XX,
cujo trabalho foi essencial para a descoberta da estrutura tridimensional do
DNA.
O encontro começou pelo
enquadramento do trabalho desta cientista, através da análise de trabalhos
anteriores que foram fundamentais para a comunidade científica aceitar o DNA
como molécula responsável pela transmissão da informação hereditária. De uma
forma sintética mas altamente eficaz, foram abordados os aspetos fundamentais
de trabalhos realizados por cientistas como
Chargaff, Griffith, Avery e vários outros, que contribuíram para o
conhecimento da composição química do DNA e do reconhecimento da importância
desta molécula no funcionamento dos organismos.
Em seguida o professor
Salema caracterizou o contexto científico e as equipas que se lançaram na
tentativa de descobrir a estrutura tridimensional do DNA, que encerrava a chave
para deslindar um grande problema, como é que esta molécula, quimicamente
simples, pode ser o suporte quase universal da informação genética nos seres
vivos? Muitos saberão que para a história ficou o nome de dois cientistas James
Watson e Francis Crick, que publicaram em 1953 um artigo científico na revista
Nature, a descrever essa estrutura tridimensional e que lhes valeu, juntamente
com Maurice Wilkins, o prémio Nobel da Medicina em 1962. Este artigo abriu
caminho um grande avanço na Biologia, tornando-a uma das ciências mais
relevantes do século XX e XXI.
O foco desta conversa
foi, no entanto, a importância que uma mulher judia cientista teve na
descoberta da estrutura do DNA, nomeadamente através do uso da cristalografia e
de raios X, para tirar e interpretar fotografias desta molécula. O resultado
mais conhecido foi a “fotografia 51”, considerada uma das fotografias mais
relevantes da Ciência. O trabalho desta cientista não foi devidamente
valorizado durante a sua vida, nem teve o reconhecimento de um prémio Nobel
(que a acontecer seria a título póstumo). Esta mulher viveu intensamente a
ciência e essa intensidade teve, muito provavelmente, um papel na doença que a
vitimou, uma vez que esteve exposta durante muito tempo a doses relevantes de
raios X e, mesmo com evidentes problemas de saúde, não deixou a investigação e
continuou a publicar trabalhos de elevada qualidade e relevância.
O professor Salema terminou esta apresentação
explorando vários exemplos de investigações, instituições e outras iniciativas
que procuram, ainda hoje, evidenciar a importância que esta cientista teve e,
desta forma, repor alguma justiça e dar o merecido reconhecimento a uma vida
dedicada à Ciência.
Na voz do professor
Roberto Salema foi evidente um profundo conhecimento desta história e dos
elementos científicos a ela associados. Este conhecimento veio embrulhado num
discurso claro, cativante e numa paixão pela Ciência e pelo Ensino. Estes
elementos encantaram as pessoas que tiveram o privilégio de assistir a esta
tertúlia.
Professor Joaquim Sousa


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